A Polícia Federal afirmou que a empresa alvo da Operação Aleatorius, deflagrada no domingo (8/2), alterava com frequência o nome. Além de promover mudanças no quadro societário para dificultar a identificação e a fiscalização. No entanto, segundo o delegado responsável pela apuração, mais de R$ 1 milhão foi bloqueado em contas ligadas aos investigados.
De acordo com a investigação, o grupo atuava com a comercialização de títulos de capitalização e teve as atividades suspensas após a PF apontar indícios de sorteios irregulares com prêmios em dinheiro. A corporação afirma que a autorização disponível permitiria apenas premiações de pequeno porte, mas a empresa teria extrapolado os limites, realizando sorteios com valores elevados.
Ainda conforme o delegado, a investigação identificou sinais de ausência de declaração de valores e, além disso, apontou indícios de lavagem de dinheiro. Durante a operação, os agentes apreenderam cerca de R$ 850 mil. Além de veículos, documentos, celulares e mídias, materiais que devem embasar a continuidade do inquérito.
POLÍCIA FEDERAL FALA SOBRE SELO:
Outro foco da apuração é o uso de selos nas cartelas. A Polícia Federal explicou, portanto, que um órgão vinculado ao Ministério da Fazenda emite esse selo e, assim, indica autorização legal. Sendo assim para a promoção comercial; contudo, quando alguém utiliza o selo sem permissão válida, a prática passa a ser considerada irregular. Em uma das cartelas analisadas, a PF encontrou referência a uma suposta autorização relacionada a um processo em Pernambuco, mas informou ter confirmado que a autorização não existia, o que reforçou as suspeitas e acelerou as diligências.
A polícia também investiga a possibilidade de movimentação de grandes quantias fora do sistema bancário, com fracionamento de valores e pagamento de prêmios em dinheiro vivo — o que, na avaliação dos investigadores, pode ter contribuído para a aparência de legalidade do esquema.
Dinheiro em mala e mandados em quatro cidades:
Neste primeiro momento, a investigação apura a atuação de sete pessoas — entre sócios e investidores, a maioria de fora de Teresina. Em um dos endereços, na casa de um gestor, os policiais localizaram R$ 600 mil guardados em uma mala, segundo a PF.
Ao todo, as equipes cumpriram sete mandados de busca e apreensão em Teresina (PI), Juazeiro do Norte (CE), Garanhuns (PE) e Caruaru (PE) e, além disso, a 1ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Piauí expediu as ordens judiciais.
A PF aponta que o caso pode envolver crimes como lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, falsificação de selo ou sinal público e crimes contra a ordem tributária. Novas suspeitas ainda podem surgir conforme o avanço da investigação.
