CASO DE CAIXA DOIS!

Após operação da PF, vereador “Fiscal do Povo” tenta se defender e aponta ex-assessor em Caxias no Maranhão

O vereador Daniel Barros, conhecido como “Fiscal do Povo”, aparece no centro da turbulência

agência conversadebastidores, Repórter do EM OFF

A ofensiva da Polícia Federal contra suspeitas de caixa dois eleitoral e corrupção nas eleições de 2024 ampliou a pressão sobre o cenário político de Caxias. Nesse contexto, o vereador Daniel Barros, conhecido como “Fiscal do Povo”, aparece no centro da turbulência. Veículos locais passaram a apontá-lo como um dos alvos da Operação Farândola, iniciada na quinta-feira (5/3). Criada para apurar o uso de dinheiro oculto em campanhas para a Câmara Municipal. Além disso, a própria PF informou que conduz investigação sobre um esquema de caixa dois e corrupção eleitoral, com seis mandados de busca e apreensão cumpridos em Caxias e São Luís.

De acordo com a Polícia Federal, investigadores identificaram indícios de que um operador financeiro teria recebido e redistribuído recursos não declarados a mando de candidatos eleitos. Dessa forma, o suposto esquema teria abastecido despesas paralelas de campanha e possíveis vantagens ilícitas durante o período eleitoral. Durante a ação, os agentes apreenderam celulares, computadores, documentos. Além de registros contábeis informais e R$ 203 mil em espécie, valor que agora integra o conjunto de provas sob análise.

Embora a PF ainda não tenha divulgado oficialmente todos os nomes envolvidos, o nome de Daniel Barros começou a circular publicamente. Mas, somente após reportagens e manifestações divulgadas nesta sexta-feira, 6 de março. Em publicações nas redes sociais e em conteúdo veiculado por portal local, o próprio vereador confirmou que figurou entre os alvos da operação. Ao mesmo tempo, ele buscou afastar qualquer relação com compra de votos e afirmou que permanece tranquilo diante da investigação.

DANIEL BARROS REAGE:

Ao apresentar sua versão, Daniel Barros direcionou a responsabilidade a um ex-assessor. E segundo ele, integrou sua estrutura política até julho de 2024 e conhecia os bastidores da campanha. De acordo com o parlamentar, esse antigo colaborador realizou pagamentos de despesas eleitorais, como serviços de marqueteira, telefone e outros custos operacionais. Além disso, o vereador citou uma transferência de R$ 25 mil feita ao homem e declarou que notas fiscais comprovariam a legalidade desses repasses.

Mas, na tentativa de conter o desgaste político, o vereador afirmou que nunca recebeu convocação da Polícia Federal para prestar esclarecimentos. Além de negar participação em compra de votos. Em nota divulgada pelo Portal R10, sua defesa declarou que ele segue “de cabeça erguida” e com “consciência limpa”, além de sustentar que o parlamentar não pretende recuar em sua atuação política.

Enquanto isso, o cenário político de Caxias enfrenta novas tensões. Isso porque a Operação Farândola surgiu poucos dias depois de outra frente de investigação aberta pela PF no município. Dessa vez, agentes passaram a apurar um suposto esquema de compra de renúncia de candidatos, além de suspeitas relacionadas a violência política e fraude eleitoral. Mesmo sem confirmação oficial de ligação direta entre os casos, a sequência de operações colocou Caxias no centro do noticiário policial-eleitoral no Maranhão neste início de março.

Por fim, as investigações seguem em andamento e o material recolhido pela Polícia Federal deve esclarecer se ocorreram apenas irregularidades administrativas de campanha. Ou se existiu, de fato, uma engrenagem clandestina de financiamento eleitoral. Enquanto Daniel Barros tenta se distanciar do escândalo, os investigadores buscam responder três perguntas centrais: quem pagou, quem recebeu e quem, ao final, se beneficiou do dinheiro que ficou fora da contabilidade oficial.