A crise da coleta de lixo em João Pessoa revelou um problema maior do que caminhões parados, calendário alterado e resíduos acumulados nas ruas. Ela expôs a fragilidade de comando da Emlur sob Ricardo Veloso, hoje cobrado não apenas pela falha operacional, mas pela percepção de que sua atuação tem sido mais política do que técnica.
O prefeito Leo Bezerra convocou reunião de urgência com Veloso, empresas responsáveis pela coleta e sindicatos depois do agravamento do problema em diversos bairros da capital. A Prefeitura também anunciou força-tarefa e novo calendário para tentar normalizar o serviço. 
A explicação oficial aponta problemas operacionais com prestadoras de serviço e paralisação parcial da empresa Inovar Ambiental. Mas a pergunta central permanece: onde estava a Emlur antes da crise virar acúmulo de lixo nas ruas? A autarquia existe justamente para fiscalizar, planejar, cobrar contratos e impedir que a população seja surpreendida pelo colapso de um serviço essencial.
Ricardo Veloso, como superintendente, passa a ocupar o centro da cobrança. Não basta atribuir a crise às empresas contratadas ou ao descarte irregular. Se a coleta falha, se o cronograma precisa ser refeito às pressas, se o prefeito precisa chamar reunião emergencial, a falha também é de gestão.
Nos bastidores políticos, cresce ainda a crítica de que Veloso tem dedicado energia excessiva à articulação política ligada ao grupo de Cícero Lucena, que já se movimenta como pré-candidato ao Governo da Paraíba. Cícero tem cumprido agendas pelo interior e reforçado sua pré-campanha em encontros com apoiadores de diferentes municípios. 
Essa movimentação amplia o desgaste de Veloso. A leitura de adversários e críticos é simples: enquanto João Pessoa enfrenta lixo acumulado, a Emlur parece comandada por alguém mais preocupado com o tabuleiro eleitoral do que com a rotina pesada da limpeza urbana.
A operação “Limpa Bairro”, anunciada pela Prefeitura para combater o descarte irregular, é necessária, mas chega depois do estrago político e urbano. A própria gestão municipal informou que a força-tarefa começaria pelo Valentina de Figueiredo, com máquinas, caminhões e equipes para eliminar pontos clandestinos de lixo. 
O problema é que mutirão não substitui planejamento. Cidade limpa não pode depender de resposta emergencial, nem de ação de marketing institucional quando a crise já explodiu.
Ricardo Veloso terá agora de provar se é gestor ou operador político. Porque, na ponta, a população não quer saber de pré-campanha, bastidor ou acomodação partidária. Quer a rua limpa, o lixo recolhido no dia certo e uma Emlur funcionando antes da crise, não apenas depois da cobrança pública.
