O deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM) encaminhou à Procuradoria-Geral da República, na terça-feira (3/2), uma representação na qual solicita ao procurador-geral Paulo Gonet Branco que seja reconhecida a suspeição do ministro Dias Toffoli na condução do Inquérito 5.026, no Supremo Tribunal Federal. O procedimento apura suspeitas de irregularidades relacionadas à tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília).
Mas, no ofício, o parlamentar afirma atuar no papel constitucional de fiscalização e ressalta que não antecipa conclusões sobre o mérito das investigações. O pedido, no entanto, segundo ele, busca preservar critérios institucionais e a confiança pública. Mas, tambiante de questionamentos sobre imparcialidade e “aparência de neutralidade” no comando do caso.
Além disso, Amom lembra que o inquérito chegou ao STF sob a justificativa de conexão com autoridade com foro privilegiado, o deputado João Carlos Bacelar, e que o sorteio atribuiu a relatoria a Toffoli em 28 de novembro de 2025.
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A representação elenca episódios e informações divulgadas publicamente que, na avaliação do deputado, exigiriam apuração sobre eventual impedimento. Entre eles, a citação a uma viagem internacional do ministro em aeronave privada. Mas, com referência a notícias que relacionam a viagem a pessoas ligadas à defesa no caso. Além de determinação de sigilo total em uma reclamação apresentada pela defesa de Daniel Vorcaro. E também uma decisão monocrática que teria concentrado no STF a totalidade das apurações, mantendo a relatoria.
O documento também menciona vínculos no entorno de advogados e reportagens envolvendo negócios relacionados ao Tayayá Resort. Incluindo transações atribuídas a familiares do ministro e conexões com pessoas citadas no inquérito. Mas, para Amom, mesmo sem apontar participação direta do magistrado nos fatos, o conjunto criaria um cenário de conflito de interesses ao menos aparente — suficiente, segundo ele, para afetar a credibilidade do processo.
Ao final, o deputado registra que apoia a instalação de uma CPI do Banco Master e defende que o Congresso intensifique a cobrança por esclarecimentos formais e o acompanhamento institucional do caso.
