A Polícia Civil do Amazonas deflagrou nesta sexta-feira (20/2) uma operação contra o que chama de “núcleo político” ligado ao Comando Vermelho (CV) no estado. Mas, o principal alvo, segundo a investigação, é Allan Kleber Bezerra Lima, apontado como líder do grupo e agora foragido.
De acordo com a polícia, Allan Kleber teria comandado um esquema de tráfico e lavagem com apoio de empresas de fachada. Entretanto, além de ligações com servidores públicos, além de movimentação financeira estimada em R$ 70 milhões desde 2018.
A investigação, no entanto, ainda sustenta que o foragido tentava despistar. Sendo assim, ele frequentava cultos e usava roupas associadas ao meio evangélico. Mas, em uma ocorrência anterior, teria escondido drogas dentro de uma igreja na Zona Leste de Manaus. A polícia, portanto, cita também que outro alvo teria morado dentro de uma igreja.
Presos no Amazonas: quem é quem e qual ligação a polícia aponta:
Mas, segundo a Polícia Civil, oito pessoas foram presas no Amazonas. Veja os nomes e as conexões descritas pela investigação:
1) IZALDIR MORENO BARROS:
• Ligação apontada: servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM)
• Suspeita: receber pagamentos para fornecer informações sigilosas de processos em segredo de Justiça, beneficiando o grupo.
2) Adriana Almeida Lima:
• Ligação apontada: ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam)
• Suspeita: relatórios de inteligência financeira indicariam transações milionárias ligadas ao esquema.
3) Anabela Cardoso Freitas:
• Ligação apontada: investigadora da Polícia Civil; integra a Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus; foi chefe de gabinete do prefeito David Almeida
• Suspeita: teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão em favor da facção, via empresas de fachada.
4) Alcir Queiroga Teixeira Júnior:
• Ligação apontada: investigado por participação no braço financeiro
• Suspeita: atuação na movimentação de valores suspeitos atribuídos à organização.
5) Josafá de Figueiredo Silva:
• Ligação apontada: ex-assessor parlamentar de vereador
• Suspeita: integrar a rede de influência do grupo.
6) Osimar Vieira Nascimento:
• Ligação apontada: policial militar
• Suspeita: envolvimento com as atividades do núcleo político investigado.
7) Bruno Renato Gatinho Araújo:
• Ligação apontada: preso no Amazonas e citado entre investigados
• Suspeita: participação no esquema (o texto-base não detalha a função específica).
8) Ronilson Xisto Jordão:
• Ligação apontada: preso em Itacoatiara
• Suspeita: suposta participação no esquema investigado.
Presa fora do AM: “lobista” e falsa advogada, diz polícia:
Lucila Costa Meireles:
• Ligação apontada: já exerceu cargos de assessoria parlamentar na Aleam e na Câmara Municipal de Manaus
• Suspeita: se apresentava como advogada sem registro na OAB e atuava como lobista do grupo.
• Acusações citadas: mensagens analisadas indicariam pagamento de propina a servidor do Judiciário para obter e repassar informações de processos em segredo de Justiça.
Foragidos citados: rede de “advocacia” e blindagem:
Mas, além de Allan Kleber, a investigação afirma que outros oito investigados seguem foragidos. SDendo assim, entre os nomes destacados no material:
Núbia Rafaela Silva de Oliveira
• Ligação apontada: ex-assessora parlamentar do vereador Elisansandro Bessa (PSB)
• Suspeita: atuava como “advogada do grupo”, em conjunto com Lucila Costa Meireles, para dificultar as apurações.
• Acusações citadas: conversas e relatórios indicariam participação em tratativas de pagamentos a servidores do Judiciário para acompanhar/agilizar processos de interesse da organização.
COMO A POLÍCIA DIZ QUE O ESQUEMA FUNCIONAVA:
No entanto, segundo a investigação, o grupo teria movimentado R$ 70 milhões desde 2018 (média estimada de R$ 9 milhões por ano) e usado empresas de fachada nos setores de transporte e logística para facilitar compra e envio de drogas:
• compra na Colômbia → envio a Manaus → distribuição para outros estados.
Por fim, os investigados devem responder, segundo a polícia, por organização criminosa, associação para o tráfico, corrupção ativa e passiva. Mas também, por violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio (entre outros apontados).
