ENTENDA!

Estudo da Embrapa reforça segurança do açaí e aponta método eficaz contra contaminação por Chagas

Além disso, comprova que o choque térmico elimina o risco de contaminação pelo protozoário causador da doença de Chagas

agência conversadebastidores, Repórter do EM OFF

Um estudo desenvolvido pela Embrapa reforça a segurança no consumo do açaí. Além disso, comprova que o choque térmico elimina o risco de contaminação pelo protozoário causador da doença de Chagas. Mas, sem comprometer o sabor da bebida, tão presente na mesa dos amapaenses.

O tema ganhou ainda mais relevância após o surto registrado em março, em Macapá, quando autoridades associaram casos da doença ao consumo de açaí contaminado. Segundo a Superintendência de Vigilância em Saúde do Amapá, oito pessoas testaram positivo para a enfermidade. Além disso, três casos evoluíram para óbito, sendo dois já contabilizados oficialmente e um ainda sob apuração.

Diante desse cenário, a Embrapa Amapá destaca a importância da adoção das Boas Práticas de Fabricação e, com isso, orienta pequenas agroindústrias e batedeiras a garantir um produto limpo, seguro e livre de agentes contaminantes.

CUIDADOS:

O cuidado começa ainda na fase da colheita, com a triagem dos frutos. Nessa etapa, trabalhadores retiram resíduos como folhas, galhos, sujeiras e até insetos, entre eles o barbeiro, transmissor da doença. Em seguida, o açaí passa por sucessivas lavagens com água potável, em pelo menos três etapas, para remover impurezas.

Depois disso, ocorre a fase de desinfecção, com a imersão dos frutos em solução clorada à base de hipoclorito, procedimento que combate microrganismos e bactérias. Na sequência, os produtores realizam o branqueamento, ou choque térmico: eles mergulham os frutos rapidamente em água quente por alguns segundos e, logo após, fazem o resfriamento em água fria.

Segundo os especialistas, esse procedimento se mostra decisivo para tornar o alimento seguro ao consumo e, ao mesmo tempo, preservar suas características sensoriais e reduzir drasticamente o risco de transmissão oral da doença de Chagas.

Além disso, a Embrapa chama atenção para outros cuidados indispensáveis no processamento, como a higienização rigorosa dos equipamentos e do ambiente de produção. Também orienta o uso de utensílios adequados, preferencialmente de inox, e a correta paramentação dos manipuladores, com touca, botas, roupas apropriadas e higiene constante das mãos.