Manaus volta ao centro de um turbilhão político que mistura bastidores de campanha, influência religiosa e suspeitas graves de compra de votos. Desta vez, a Justiça Federal prorroga por mais 90 dias a investigação da Polícia Federal sobre o suposto esquema. De acordo com a investigação, eles usavam lideranças religiosas como peça-chave para impulsionar apoio eleitoral nas eleições municipais de 2024.
Além disso, a decisão atende a um pedido da própria PF, que ainda analisa um material explosivo: celulares apreendidos. No entanto, nas vésperas do segundo turno, recheados de mensagens, áudios e arquivos. Mas, segundo investigadores, o material pode revelar um sistema organizado de negociação política travestida de fé.
No centro da trama surge o nome de David Almeida, mais especificamente de seu genro, Gabriel Alexandre da Silva Lima. De acordo com laudos periciais, ele atua como intermediador em conversas com pastores ligados à Igreja Pentecostal Unida do Brasil.
E O CONTEÚDO DAS MENSAGENS CHAMA ATENÇÃO:
Em um dos trechos analisados, um pastor pede diretamente o envio de R$ 80 mil, valor que, segundo a própria fala, seria dividido entre lideranças religiosas para “animar todo mundo”. Para a PF, a linguagem é clara: dinheiro em troca de mobilização política.
Outras conversas revelam cobranças por pagamentos supostamente prometidos. Além de mensagens com expressões como “já chegou o faz-me-rir?”, o que reforça a expectativa por repasses financeiros. Em resposta, um líder afirma que o dinheiro estaria “encravado”, o que amplia ainda mais a suspeita de negociação nos bastidores.
Além disso, surgem indícios de articulação direta de campanha. Em um áudio recuperado, investigados afirmam que Gabriel solicita que pastores divulguem o número eleitoral nas redes sociais — uma estratégia que, se confirmada com contrapartida financeira, pode configurar corrupção eleitoral.
As provas vão além do digital.
A investigação começa após uma operação realizada em 26 de outubro de 2024, quando agentes encontram envelopes com dinheiro em espécie dentro de um espaço ligado à igreja. Ao todo, R$ 21.650 são apreendidos, e relatos indicam que o valor faria parte de um montante maior recebido na noite anterior.
Diante disso, os investigadores apontam um cenário de reuniões discretas, encontros em cafeterias e conversas frequentes entre representantes políticos e lideranças religiosas — o que indica um possível circuito de influência que, segundo a PF, atua para interferir diretamente no resultado das urnas.
Apesar da gravidade das suspeitas, até o momento a Prefeitura de Manaus não se manifesta oficialmente sobre o caso. As defesas dos investigados também não aparecem.
ENQUANTO ISSO, A CONTAGEM REGRESSIVA CONTINUA:
Com mais 90 dias pela frente, a Polícia Federal aprofunda a análise dos dados apreendidos — e o que pode surgir desses aparelhos tem potencial para transformar uma investigação já sensível em um dos episódios mais explosivos da política recente no Amazonas.

