A briga entre Jojo Todynho e Malévola Alves ultrapassou o terreno da fofoca e entrou no território mais perigoso da internet: o espetáculo da violência como entretenimento. Helicóptero, condomínio, ameaça, deboche, plateia, cortes virais, torcida nas redes. Tudo parece montado para que a confusão deixe de ser conflito e vire produto.
Nesse enredo, ninguém parece realmente interessado em solução. O que se disputa é atenção. E atenção, hoje, vale dinheiro. Cada provocação vira vídeo, que já vira engajamento, alimenta seguidores, publicidade, casas de aposta, plataformas e uma cadeia inteira que lucra com o rebaixamento do debate público.
A imprensa, nesse cenário, precisa resistir à tentação de embarcar no coliseu romano. Noticiar é uma coisa. Transformar provocação em cobertura minuto a minuto é outra. Quando o jornalismo reproduz o espetáculo sem reflexão, troca a apuração pela arquibancada e ajuda a transformar ameaça em entretenimento.
A violência verbal, a humilhação pública e a promessa de confronto não podem ser tratadas como roteiro de reality show. O país já convive com brutalidade demais para que o barraco seja vendido como diversão. Quando tudo vira meme, a consequência desaparece.
No fim, Jojo e Malévola podem sair chamuscadas ou mais famosas. A plateia pode rir por algumas horas. Mas quem realmente vence é a engrenagem: o algoritmo, o clique fácil, a aposta clandestina da atenção. E, no topo dela, o tigrinho, símbolo perfeito de uma época em que o escândalo virou caça-níquel emocional.
