A investigação envolvendo Deolane Bezerra ganhou novos desdobramentos neste domingo (24/5) após reportagem exibida pelo Fantástico revelar detalhes inéditos sobre a Operação Vérnix. Segundo a apuração, a Interpol monitorou a influenciadora durante uma temporada em Roma, enquanto autoridades brasileiras discutiam a possibilidade de cumprir a prisão preventiva ainda em território italiano. Paralelamente, Deolane compartilhava registros da viagem nas redes sociais sem demonstrar preocupação com o avanço das investigações.
De acordo com a reportagem, a influenciadora permaneceu mais de 20 dias hospedada em um imóvel de alto padrão localizado na região da Piazza di Spagna. As diárias do local ultrapassariam R$ 15 mil, conforme apontou a investigação apresentada pelo programa. Enquanto isso, equipes da Polícia Civil de São Paulo avaliavam estratégias para efetuar a prisão na Europa. Apesar disso, Deolane retornou ao Brasil um dia antes da deflagração da operação e acabou presa logo após desembarcar em São Paulo.
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo apuram um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Além disso, os investigadores analisam suspeitas de lavagem de dinheiro, associação ao tráfico de drogas e suposta participação da influenciadora na facção criminosa. Segundo a investigação, Deolane teria atuado como uma espécie de “caixa” financeiro do grupo. Em contrapartida, a defesa nega qualquer ligação dela com o crime organizado e sustenta que todos os valores recebidos possuem origem lícita, declarada e comprovada.
ENTENDA:
Ainda segundo o Fantástico, relatórios financeiros produzidos pela polícia identificaram movimentações milionárias envolvendo contas pessoais e empresas registradas em nome da influenciadora. A apuração aponta que R$ 13,6 milhões passaram pelas contas de Deolane entre 2018 e 2022, enquanto outros R$ 14 milhões circularam por empresas ligadas ao nome dela. Além disso, investigadores encontraram empresas consideradas de fachada em cidades do interior paulista próximas ao presídio de Presidente Venceslau.
Segundo a polícia, alguns dos endereços utilizados pelas empresas apareciam vinculados a dezenas de outras firmas. A investigação surgiu como desdobramento de uma apuração iniciada em 2019 após a apreensão de bilhetes manuscritos encontrados em uma cela da penitenciária de Presidente Venceslau. As mensagens continham supostas ordens atribuídas a lideranças da facção, entre elas Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Alejandro Camacho Júnior, conhecido como Marcolinha. Durante audiência de custódia, Deolane afirmou que os valores recebidos correspondiam a pagamentos legítimos por serviços prestados quando ainda atuava como advogada criminalista. Após a prisão, as autoridades transferiram a influenciadora para o presídio feminino de Tupi, no interior paulista.
Antes de ser presa em São Paulo, Deolane Bezerra já estava sendo monitorada pela Interpol. #Fantástico. pic.twitter.com/UdYNeeYuUK
— Central Reality (@centralreality) May 24, 2026
