Exclusivo Patrícia Ribeiro revela momentos durante prisão e invasão em residência: “consegui saltar pela janela e fugir”

Durante o bate-papo, Patrícia afirmou que uma pessoa próxima a ela acabou invadindo sua residência em Portugal e a fez de refém

N
Neto Maciel, Colunista do Portal EM OFF

A cantora Patrícia Ribeiro conversou com a Coluna Neto Maciel EM OFF e fez fortes revelações sobre sua história de vida, trajetória artística e superação. Durante o bate-papo, Patrícia afirmou que uma pessoa próxima a ela acabou invadindo sua residência em Portugal e a fez de refém. No entanto, por pouco ela conseguiu escapar ao pular pela janela.

Durante a conversa com a Coluna, ela também relembrou relacionamentos abusivos que viveu no passado. E também, se sentiu à vontade para compartilhar um pouco mais sobre sua vida pessoal. Patrícia revelou que viveu presa em uma penitenciária de Portugal por aproximadamente 6 anos e que, apesar das circunstâncias, ela se sentia mais segura enquanto esteve presa do que em liberdade. Sendo assim, ao comentar sobre a invasão em sua residência, ela disse ter pensado em voltar pra prisão apenas pela falta de segurança que acabou se deparando.

“Não foi um relacionamento, foi uma pessoa próxima da família e foi uma situação muito dolorosa porque eu tinha acabado de sair em liberdade. Eu fui libertada da prisão e não tinha muita noção das coisas porque foram 6 anos dentro de uma prisão e parece que são 30. Então realmente quando eu vim aqui para fora, me deparei com o mundo exterior muito diferente”.

Foto reprodução – Instagram

CASA INVADIDA:

Ao comentar sobre a diferença com que se deparou após sua liberdade, Patrícia afirmou que a violência em que o mundo se encontrava era assustadora: “Eu acho que as pessoas ficaram mais amargas, ficaram mais insensíveis e sobretudo mais violentas. Eu senti que o mundo aqui fora estava muito violento. Eu tinha medo de sair na rua. Me deparei com uma situação familiar realmente com uma pessoa próxima que invadiu a minha casa e me sequestrou dentro de casa. Eu vivi um filme de terror naquele momento. E eu tava em liberdade condicional, eu tinha regras. Eu não podia estar envolvida em problemas, em confusões. Eu só tive tempo de abrir a janela e conseguir saltar pela janela e fugir.

Ainda durante o forte desabafo, a cantora afirmou que desejou voltar para a prisão por conta da violência e perigo que ela acabou vivendo: “E houve momentos, realmente da minha vida … Eu não vou mentir, que eu quis voltar pra prisão. Eu disse pra minha avó: ‘Eu vou arrumar as minhas coisas porque eu quero voltar pra prisão’, porque pelo menos dentro da prisão eu tô resguardada. Fiquei assustada. Eu tive medo da liberdade. É muito duro dizer isso, mas eu quis voltar pra prisão muitas vezes“.

DIÁRIO ASSINADO POR DETENTAS NA PRISÃO:

Ao relembrar dos momentos em que esteve presa, Patrícia mostrou com exclusividade um objeto que hoje é visto como uma lembrança de superação: um diário usado por ela dentro do presídio. Segundo a artista, muitas outras mulheres trans que se encontravam na mesma situação que ela demonstraram a complicidade e companheirismo através de pequenos textos de carinho escritos em seu diário.

“Nem tudo foi mal dentro da prisão. Eu levo muita gente no meu coração. Conheci centenas de brasileiras dentro da prisão e muitas delas estavam presas por tráfico de drogas. Eu tenho uma agenda aqui comigo que todas elas escreveram, eu nunca mostrei ela a ninguém”.

PRIMEIRA A FAZER CIRURGIA DE TRANSIÇÃO DE GÊNERO EM PORTUGAL:

Patrícia também disse à Coluna que foi a primeira mulher trans a fazer a cirurgia de transição de gênero em Portugal. Mas, além desse grande feito, a artista também foi a primeira mulher trans a mudar o nome de instrumento no país.

“Há 20 anos eu fui a primeira em Portugal a fazer a cirurgia de transição de gênero pelo Serviço Nacional de Saúde que é o SUS no Brasil”. Na época, por conta da grande repercussão, Patrícia acabou sendo referência para outras mulheres trans: “Eu tinha uma lacuna, ou seja, eu fiz a minha cirurgia pelo SUS mas não tinha uma lei para poder mudar o meu nome nos documentos. Eu tive dois anos e meio sendo mulher sexualmente, mas com o nome masculino nos documentos. No dia que eu fui mudar de nome, eu tive que mover uma ação judicial contra o próprio Estado português. Ele conseguiu a minha cirurgia, mas me deixou na mão porque não tinha uma lei para mudar os instrumentos. Mas quando eu ia para julgamento, a Lei de identidade de gênero foi aprovada nesse dia”.

LANÇAMENTO DE BIOGRAFIA:

Patrícia Ribeiro lança em breve sua biografia e apresenta ao público reflexões profundas sobre experiências marcantes de sua trajetória pessoal. No livro, a artista relembra um episódio de violência que viveu em um relacionamento e, a partir desse relato, discute a presença da violência física e psicológica em namoros e relações afetivas. Vale destacar que a artista possui dois discos de ouro e tem seu hit ‘Quero ser Feliz’ bombando no Big Brother de Portugal.

Por fim, este colunista acredita que o mundo nem sempre te dá flores para seguir sua caminhada. No entanto, absolutamente tudo que vivemos, através de nossa breve passagem por aqui, nos serve de aprendizado. As coisas boas são sim algo que devemos celebrar, mas as coisas ruins e difíceis de passarmos devem ser celebradas ainda mais porque elas nos fortalecem e nos fazem enxergar o mundo com outra percepção e, muitas das vezes, melhor.