VAZAMENTO DE PROCESSOS SIGILOSOS!

Falsa advogada é presa em Teresina e vira peça-chave em operação que apura esquema com facção

Lucila Meireles Costa, de 42 anos, foi detida por suspeita de se passar por advogada e tentar corromper servidores da Justiça do Amazonas

agência conversadebastidores, Repórter do EM OFF

Uma prisão feita no Centro de Teresina, na manhã desta sexta-feira (20/2), colocou o Piauí no mapa de uma investigação de alcance nacional. Lucila Meireles Costa, de 42 anos, foi detida por suspeita de se passar por advogada e tentar corromper servidores da Justiça do Amazonas para obter informações de processos sob sigilo, segundo a Polícia Civil.

A captura faz parte da Operação Erga Omnes, conduzida pela Polícia Civil do Amazonas, que mira um grupo investigado por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e violação de sigilo funcional.

De acordo com os investigadores, a operação apura um esquema ligado ao Comando Vermelho, que, conforme as apurações, mantinha um suposto “núcleo político” com acesso a instâncias dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, funcionando como uma engrenagem para dar sustentação a atividades criminosas no estado.

APREENSÕES NO LOCAL E “TOKEN” DE ACESSO:

Segundo o delegado Tales Gomes, da Diretoria de Operações Policiais (Deop), responsável pelo cumprimento do mandado, a equipe encontrou e apreendeu aparelhos eletrônicos. Além disso, os agentes apreenderam anotações e um token que, conforme a polícia, pertenceria a uma advogada regularmente inscrita na OAB-AM e que a suspeita teria utilizado. Mas, ainda de acordo com o delegado, a equipe interrogou Lucila e, em seguida, a encaminhou ao sistema prisional.

Mas, a ofensiva não ficou restrita ao Amazonas: a Operação Erga Omnes teve desdobramentos e alvos em Minas Gerais. Além do Ceará, Pará, Maranhão, além de Piauí e Amazonas. Sempre indicando, segundo os investigadores, uma atuação articulada e com ramificações fora do estado.

ELO COM O TRÁFICO E VALORES INVESTIGADOS:

As investigações apontam que a organização teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão para a facção por meio de empresas de fachada. Ainda segundo a polícia, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 70 milhões desde 2018, em um fluxo médio anual estimado em R$ 9 milhões.

A apuração, no entanto, também sustenta que essas empresas, formalmente ligadas aos setores de transporte e logística, seriam usadas para viabilizar a compra de drogas. Mas, inicialmente, o esquema começava na Colômbia e enviava o material para Manaus; em seguida, distribuía os entorpecentes a outros estados.

Além de Lucila, a operação teve como alvos, segundo a polícia, um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores de três vereadores.

Os investigados poderão responder, conforme o avanço do inquérito, por crimes como organização criminosa. Além de associação para o tráfico, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e violação de sigilo funcional.

A Polícia Civil afirma que as diligências continuam para identificar todos os envolvidos e detalhar o papel de cada suspeito no esquema investigado.