Ao escolher a Praça João Luiz, um dos pontos mais simbólicos e pulsantes de Teresina, para dar início à construção de seu plano de governo, o pré-candidato ao Palácio de Karnak, Mainha (Podemos), não apenas cumpriu um gesto político, mas desenhou, com método e intenção, a narrativa que pretende sustentar sua candidatura: a de quem busca legitimidade não em gabinetes, mas no asfalto quente onde a política ainda respira.
No entanto, entre vendedores ambulantes, aposentados e trabalhadores que atravessam o centro todos os dias. Mainha ouviu críticas diretas ao governo de Rafael Fonteles (PT), recolheu sugestões e reforçou a imagem de um político disposto a construir sua proposta a partir da escuta pública. Sendo assim, em publicação nas redes sociais, ele sintetizou a estratégia. Com uma frase calculada para ecoar além da praça. Ele afirmou que seu plano nasce “buscando atender às necessidades reais da população”, sustentado pelo “diálogo, presença e compromisso”.
O CAPITAL POLÍTICO ACUMULADO:
Mainha não chega como um desconhecido. Ex-deputado federal, duas vezes prefeito de Itainópolis e ex-presidente da Associação Piauiense de Municípios (APPM), ele construiu uma base orgânica no interior do estado, um território decisivo em eleições piauienses, onde o voto ainda é profundamente influenciado por vínculos pessoais e pela memória administrativa.
Esse histórico oferece a ele três ativos estratégicos:
• Capilaridade municipal, fruto de sua passagem pela APPM, que lhe garantiu trânsito entre prefeitos e lideranças locais;
• Reconhecimento popular, especialmente fora da capital, onde sua trajetória administrativa permanece viva;
• Posicionamento oposicionista consistente, que o coloca como uma das vozes mais críticas ao atual governo.
Num cenário político onde a oposição ainda busca um nome capaz de condensar insatisfações difusas, Mainha surge como um vetor possível dessa convergência.
A ESTRATÉGIA DO “CANDIDATO QUE OUVE”:
Ao optar por iniciar sua pré-campanha nas ruas, Mainha adota uma estratégia clássica, mas eficaz. A construção de uma imagem de proximidade, em contraste com a percepção, cada vez mais presente entre eleitores, de distanciamento das elites políticas.
Essa abordagem, no entanto, tende a produzir efeitos cumulativos. Primeiro, fortalece sua presença simbólica como alguém acessível. Depois, amplia sua visibilidade espontânea, sem depender exclusivamente de estruturas partidárias ou de campanhas publicitárias tradicionais. Por fim, permite que ele capture, com autenticidade, o sentimento difuso de insatisfação que muitas vezes não encontra canal institucional.
CRESCIMENTO CONDICIONADO AO CENÁRIO DA OPOSIÇÃO:
O próprio Mainha reconhece que o cenário ainda está em formação. Filiado ao Podemos, ele afirma que sua pré-candidatura é legítima e está mantida, mas admite a possibilidade de alianças estratégicas no segundo turno, caso não esteja entre os finalistas.
Essa postura revela pragmatismo e, ao mesmo tempo, mantém seu nome em circulação, o que é fundamental nesta fase inicial.
POR QUE MAINHA PODE CRESCER:
O potencial de crescimento de Mainha está diretamente ligado a três fatores centrais:
• A fragmentação da oposição, que ainda não consolidou um nome dominante;
• Sua experiência administrativa e municipalista, que dialoga com prefeitos e lideranças regionais;
• A estratégia de presença física e escuta pública, que fortalece sua imagem num momento em que o eleitor valoriza autenticidade.
Em eleições estaduais, candidaturas muitas vezes não nascem fortes — elas se tornam viáveis à medida que ocupam espaço simbólico e emocional no imaginário coletivo. Ao caminhar pelas praças, Mainha não apenas conversa com eleitores. Ele ensaia, passo a passo, a possibilidade de transformar presença em viabilidade — e viabilidade, eventualmente, em voto.
